Zuzu Angel, a mãe de maio brasileira?

setembro 9, 2006

Iniciemos, enfim, este ultraje virtual:

Zuzu Angel, a mãe de maio brasileira?

Há alguns dias atrás fui convidado pela namorada para ir ao cinema assistir “Zuzu Angel”, dirigido por Sérgio Resende. Confesso que deste o momento do convite senti um calafrio na espinha, como se fosse o anúncio do que estava por vir. Entretanto, como a companhia era deveras agradável, decidi ir.

E era melhor ter sugediro outro programa, como uma cervejinha por exemplo, visto que o filme, em si, não chega a ser medíocre. É mais um daqueles melodramas cheios de reviravoltas, ação, emoção e aventura, aquela papagaiada a que, infelizmente, estamos acostumados. Ora, mas que outra coisa esperar de um filme da “Globo Filmes”, a noveleira produtora cinematográfica nacional? Isto não me espantou senhores(as). O problema é que o filme está carregado deste ranço personalista – muito difundido entre nós brasileiros desde os tempos do império, vide exemplos recentes como o “rei do futebol”, o “rei da jovem guarda”, a “rainha dos baixinhos”, e assim por diante.

Fiquei pasmo quando me dei conta de que o filme procura transformar a Zuzu na “mãe de maio brasileira”, isto é, compará-la ao movimento das mães argentinas que lutavam (lutam até hoje) para assegurar não somente o direito de enterrar seus filhos “desaparecidos” durante a ditadura de lá, mas também se organizaram como um movimento social. Tamanho equívoco não poderia ficar impune, e nós do Cinefilosofia estamos aqui para colocar os devidos pingos nos is.

Zuzu está longe de ser uma mãe de maio. Sua falta de visão política (como demonstraremos adiante) faz com que esta tentativa de comparação atinja os limiares do grotesco, pois trata-se de um insulto à luta da esquerda e uma apropriação do ideal revolucionário brasileiro pelas organizações Globo – que vencem sempre: se durante a ditadura apoiavam descaradamente o sangrento e bárbaro regime dos milicos, hoje fazem filmes enaltecendo os bravos rebeldes que heróicamente buscavam depor os generais tiranos.

Zuzu era estilista. Não vamos aqui desqualificar prontamente, e dizer que era por isso uma pessoa fútil e alienada, pois ainda acreditamos que (talvez) hajam pessoas ligadas à moda que estejam realmente preocupadas com a arte e com a quebra de paradigmas sociais. Mas este não era o caso de Zuzu. Como “empresária de sucesso”, seu mérito estava em conseguir um faturamento astronômico com uma produção de baixíssimo custo – resultado da má remuneração de suas costureiras (mais valia), e da compra de matéria prima a preço de banana (utilizava em suas roupas tecidos e rendas tidos pelo mercado como sendo de má qualidade). Sua inserção no cenário internacional se deu mais porque seu marido era estrangeiro (possuía assim cidadania estadunidense) do que pela qualidade estética de suas roupas. Os gringos viam aquilo como algo exótico.

Zuzu de fato não se metia em política – costurava para esposas de oficiais do exército, e estava mais preocupada em garantir o seu quinhão do “milagre econômico” do que qualquer outra coisa.

Talvez por uma “crise de consciência”, seu filho entrou para a linha de frente do MR8, e de fato colaborou com a causa revolucionária – motivo pelo qual foi preso e torturado até a morte pelos milicos.

Zuzu então, alertada por um dos companheiros de guerrilha, resolve procurar pelo paradeiro do filho. E eis aqui o porquê do filme ser negligente quanto à causa revolucionária – tanto daqui como da Argentina: Quando Zuzu resolveu procurar por seu filho, o fez sem aderir ao ideal revolucionário; “pelegou” como se diz no jargão dos militantes de esquerda. Jamais passou pela sua cabeça perguntar o porquê de seu filho estar desaparecido, nem de tentar entender a nobreza de uma luta como a dele. Ela apenas utilizou de seu prestígio para fazer saber que seu filho tinha sumido após ser preso pelo DOI-CODI, diferentemente da idéia transmitida pelo filme.

Sua falta de visão política não para por aí: dentre outras lambanças e cabeçadas, Zuzu teve a brilahnte idéia de entregar um dossiê nas mãos de Henry Kissinger – “diplomata” dos Estados Unidos, apontado como um dos idealizadores e principais responsáveis pelo sucesso da Operação Condor (instalação de ditaduras militares por toda a América Latina, visando garantir a supremacia estadunidense no continente). Ele não só já sabia do que tinha acontecido com o filho de Zuzu, como também tinha sido o mandante. Não somente do assassinato dele, como o de milhares de outros. Por todo o mundo.

Aqui precisamos ressaltar que foi a luta das Mães da Praça de Maio que contribuiu fortemente para desmascarar este plano imoral dos Estados Unidos; através delas que esta Operação Condor veio à tona. Elas não somente procuraram enenterrar seus mortos, como organizaram um movimento forte de oposição ao regime ditatorial, dando assim continuidade à luta de seus hijos, fazendo com que eles não tivessem sido brutamente assassinados em vão. Por isso tudo, as Mães de Maio são um símbolo internacional da luta entre oprimidos e opressores. Nossa Zuzu via a coisa como uma travessura de adolescente que acabou mal, seu filho rebelde acabou exagerando na dose, afinal, a ditadura não era tão ruim assim. Isto fica evidente na cena em que Zuzu encontra com o pai de Carlos Lamarca e diz: “O meu filho morreu por causa do seu filho”. E não para derrubar a ditadura. Morreu porque seguiu cegamente o discurso retórico de um baderneiro comunista e subversivo. Bah! Abaixo as dondocas de butique!

Para finalizar, e demonstrar que o filme peca por pretender este tipo de comparação, vamos chegar aos dias de hoje. Lá na Argentina as Mães de Maio fundaram uma Universidade Pública, que tem em sua maioria alunos vindos das classes pobres, e que ministra cursos de História, Direito, Filosofia, entre outros. Na “Casa das Madres” se procura conscientizar os alunos sobre a importância de se derrubar o capitalismo e construir o socialismo.

Aqui no Brasil temos um “Instituto Zuzu Angel”, que ensina Moda da pior maneira possível (sob a ótica da indústria, isto é, como ser um estilista de sucesso) e tem até um curso de “Pós-graduação em Carnaval”. Tão Brasil!

Por tudo isso, o filme não é apenas ruim, como é um engodo desonesto. Fuja!

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17 Respostas to “Zuzu Angel, a mãe de maio brasileira?”

  1. Oi Henrique,

    Mais uma brilhante análise e claro, revela muitos detalhes ocultos da grande massa que se alimenta dos “produtos globo” e de muitos pseudos-intelectuais.

    Como você citou o caso da argentina, acho muito legal colocar o filme Visões, com Antonio Bandeiras, que mostra a ditadura na Argentina nos anos 70, com muito mais categoria em comparação ao filme brasileiro.

    Valeu,
    Abraços,
    Raphael Boaventura

  2. Tiago Tâmega said

    É a primeira vez que venho aqui. E achei excelente!
    Eu tenho que fazer um trabalho de 3º ano sobre as mães de maio, e a Ditadura Argentina. Isso porque a escola nos levou para assistir esse filme, dizendo que seria bom para entender a ditadura. Mas como eu não gosto de ficar com apenas uma visão, comecei a procurar mais coisas. E graças a Deus eu encontrei o que queria aqui.
    Se você me permite, eu defenderei sua tese (pois o que você escreveu é uma opinião própria, que, aspesar de eu concordar, não é a mesma das outras pessoas) em meu trabalho.
    Cara, não sei quantos anos você tem, mas parece ter futuro.

    Obs: gostei de mais do termo que usou “Tão Brasil”. Apesar de eu ser patriota, sei o que esse país tem de ruim.

    Valeu pelo espaço, e parabens por suas colocações!

  3. Tiago Tâmega said

    Nossa…

    Desculpa tudo o que eu disse antes. Acabei de ler o “Sobre o Autor”. Mas que lendo isso me deu mais vontade de defender o que você disse.

    Minhas desculpas novamente.

  4. Salve Tiago, desculpe pela demora em responder. Primeiramente, devo dizer o quão lisongeante foi o teu comentário: ego nas alturas.

    No entanto, receio que se fizeste mesmo o que disse aqui, tomaste pau no trabalho. Conta aí pra gente como foi. Devo dizer que adoraria ver a cara da tua professora quando leu o que você escreveu, hehehe.

    O “Tão Brasil” é do glorioso Manuel Bandeira, aparece no poema “Não sei dançar”, de sua “Libertinagem”. Vale a pena conferir.

    abraços e até mais!

  5. Jaqueline said

    Henrique, sou professora universitária e, em minhas aulas de Politica Educacional abordo o período da ditadura.
    Peço licença a você para usar sua crítica nas discussões.
    Beijos!

  6. Minha nossa Jaqueline, você tem certeza disso? Pobres alunos!

    🙂

    Sinta-se livre para discutir, o texto foi escrito com essa finalidade.

    abraço.

  7. luiz antonio said

    Você cobra de zuzu uma postura politica radical, onde se instala o fracasso do socialismo, a falta de estratégia para se atingir o objetivo. Zuzu fez sua parte como mãe, mulher e empresária, e o resultado disso foi acredito eu a conscientização politica ainda que fora dos padrões filosoficos do comunismo, de uma pessoa imersa no universo capitalista. Minha opinião é que se encontre o equilibrio, fujindo de tomadas radicais e desarticuladas. a tempo parabenizo-lhe pela iniciativa de mostrar seu conceito a respeito do monopolio das produções artisticas (cinema e tv) brasileiras.

  8. Discordo Luiz,

    Nem sei se cobro alguma coisa da Zuzu. Apenas procurei evidenciar que este discurso “faço a minha parte” está incluso em uma lógica burguesa. Se “faço minha parte”, então estou com a consciência tranquila, tudo está bem, e não importa se as coisas continuarem hoje como ontem, o que vale mesmo é que eu estou “correndo atrás”.

    Deu no que deu: em nada. O Brasil de hoje é tão ruim quanto o da Zuzu. Mas é como aquele lema de maio de 68 – “sejamos realistas, exijamos o impossível”. justamente, pois, se exigíssemos o possível, estaríamos arriscando nossa posição privilegiada dentro de uma sociedade altamente excludente.

    Neste ponto não concedo um milímetro sequer, mesmo correndo o risco de soar como um “dinossauro”: penso haver mérito somente quando uma atitute é transformadora, no sentido de se derrubar o capitalismo – este sistema vil, bruto e cruel a que estamos (críticos e aduladores) acorrentados. Do contrário, se a atitude é continuista, reacionária e conformista, então ela precisa ser denunciada como tal.

    O maior problema da Zuzu não é não ter lido Marx (e aqui me pergunto se esta criatura já leu algo em sua vida além da “biblioteca de seleções”). O caso é que ela simplesmente transformou um movimento sério como o MR8 em brincadeira de adolescente rebelde. Ao invés de procurar saber os motivos da luta de seu filho, tachou o levante armado de “baderna” pueril. Uma lástima. E ainda achou que os mandantes poderiam ajudá-la! Tsc, tsc, tsc, lamentável.

    Devo dizer também que muitos dos que ajudaram a combater a ditadura não eram “comunistas”, como por exemplo, os padres da “teologia da libertação” (encabeçados por Evaristo Arns).

    Porém, acho pertinente que a afirmação de que a esquerda é desarticulada. Acrescento: é burra e continuista, perdeu-se em querelas internas e se esqueceu da luta junto com o povo (em grande parte). Com esta esquerda, quem precisa de direita?

    Agradeço você pela paciência em ter lido, e mais ainda em ter comentado.

    Aproveito o gancho para fazer um apelo a vocês leitoras(es): sejam mais como o Luiz Antônio. O blogue é um lugar para a discussão e o debate. Escrevam o que vocês pensam!

  9. mariana said

    Qual base vc teve para desmoralizar uma fundação…academica…Faculdades de moda nao tem valor??
    o que voce sabe sobre um curso de moda…acredito que entendas bem da sua cine filosofia..vc pode escrever e se expressar muito bem.. mas criticar uma instituiçao de ensino que acredito desconheces…suas palavras foram em vao… varias pessoas estao envolvidas professores e academicos…e ofender sem cconhecimento do fato, para mim é uma forma de agreçao,violencia…faltou respeito.
    Mariana

  10. Queridinha Marianinha,

    hoje você me pegou num dia ruim. Saiba que serás esculachada.

    O que eu sei sobre moda? Que há séculos é uma forma de segregação social/racial. Até hoje funciona muito bem: crápulas trajando Armani são pessoas de bem, e mulambentos usando camisetas de políticos são a escória da sociedade. Um homem “bem-vestido” não passa fome neste país, nem sofre discriminação, etc, etc, etc.

    As informações sobre a “instituição de ensino” da Zuzu foram tiradas do próprio site da fundaçãozinha dela. Não é verdade que por lá é ministrado um glorioso curso de pós-graduação em carnaval? Bah! Este é o país da bagaceira!!!!

    Acredito que faculdades de moda sirvam, única e exclusivamente, aos interesses do capitalismo – e da maneira mais grotesca e desinteressante possível.

    Sim, eu faltei com o respeito. E daí? E agressão é com dois ésses. Você, por acaso, estuda lá?

    abraço e obrigado pela visita,
    Arauto.

  11. Cristhiane said

    Nunca havia entrado neste site…
    O motivo que me levou até ele foi uma pesquisa escolar que minha professora Jaqueline passou.Eu não tinha a mínima idéia de como fazer este comentario explicativo…
    Este site me foi útil e eu que apenas defendia o filme Zuzu Angel, pude entender os dois lados da história e assim formar minha opinião.
    Grata,
    Cristhiane Raisse

  12. Débora said

    Achei seu comentário parte aplausível, parte grotesco…no que diz respeito aos besteirois e manipulações da globo, concordo com vc. No que diz respeito a sua visão errônea da moda, discordo plenamente. Tudo bem que Zuzu não tinha uma visão política idealizada, mas tinha o essencial…o desejo de se rebelar, nem que seja uma vez na vida, em relação aquilo que estava errado, já vale a pena se olharmos para o errado e tentarmos lutar, como eu disse, nem que seja uma vez na vida. A moda tem seu lado ruim como em qualquer ramo, pelo fato de ser feita por seres humanos, que eu saiba não existe nenhum perfeito, por isso teremos erros na moda, sim! A diferença é que na maioria das vezes ela feita por pessoas gananciosas, desprovidas de éticas morais, religiosas e ecológicas…quero que me cite aqui quais profissões possuem seres humanos smpre corretos em todas as áreas. Nenhuma!!! vai me dizer que o socialismo é o esquema perfeito?? vc deixa de jogar lixo nas ruas?? Um brasil perfeito não “depende” de presidente. depende de cada um de nós, de cada conscientização, da consciência de que se eu jogo lixo na rua e em um dia de chuva minha rua alaga, por causa do bueiro que está entopido, tenho que ter consciência de que fui eu que o entupiu jogando lixo na rua e não reclamar do meu prefeito que não faz nada. Para essa conscientização é preciso educação…e para nosso país lascado o que importa é que a educação venha sem saber de onde veio, se foi pelo capitalismo ou socialismo. A coisa já está tão feia que é mais fácil juntarmos forças(capitalismo e socialismo) e tentarmos fazer algo pelo Brasil. Pois bem, sua crítica ao filme, a estilista e a moda não beneficiaram em nada a atual situação do Brasil. Só nos leva a pensar em uma pessoa que escreve sem domínio de assunto(moda), que generaliza as pessoas, que não acredita em luta por parte de alguém só pq foi uma vez na vida, sem visão política e ainda assim por um filho! Você tem filhos? Espero que não, pq seria muito doloroso vc ouvir de alguém que sua luta não é válida por eles por não ter uma visão política bem formada. As lutas precisão ser bem mais emotivas do que racionais, pq lutar é algo que vem do coração, da alma e nunca é em vão. Quer um conselho?? Pense mais nos seus ideais com o coração e a alma, assim vai ser mais fácil entender as pessoas e suas causas, mas se conselho fosse bom a gente não dava, venderia, guarde o que eu escrevi como crítica. Deus te abençoe! P.S! O EMAIL QUE COLOQUEI NÃO É O MEU, PARA QUE VC NÃO VENHA ME ESCREVER BESTEIRAS, SE QUISER RESPONDER ALGO AO QUE EU DISSE OU ATÉ ME ESCULACHA COMO FEZ COM A MARIANA, PODE IR EM FRENTE, NÃO TENHO MEDO DE CRÍTICAS, ALÉM DO MAIS VINDO DE VOCÊ .AMO O LADO SOCIAL DO MUNDO, MAS AJUDAR ALGUÉM É MAIS EFICAZ QUANDO SE AGE E NÃO APENAS CRITICA, JÁ DIZIA MEU AVÔ, O BOM CABRITO NÃO BERRA, ELE AGE!…O QUE VC FAZ PARA AJUDAR SEU PRÓXIMO? OU VC SÓ CRITICA? AH, vc sabe o que é ser bem educado?? acho que não! bem que dizem que a maioria dos socialistas são mal educados, não respeitam ninguém e são intolerantes. deve ser horrível ser conhecido por essas características, né?

  13. Quanto rancor! Quanto desamor! Calma amiga, eu jamais esculacharia por e-mail, afinal, os meus leitores sentem um prazer imenso em ler minhas respostas. Faz parte do processo colocá-las aqui.

    Seu texto é longo. E é fraco. Por se tratar de um discurso vazio, não sei se me darei ao trabalho de desconstruí-lo passo a passo. Estou fatigado. Perdoe-me. Mas espero poder escarnecê-lo de maneira mais inteligente do que fiz com a Mariana (aquilo foi tosco, estava numa faze ruim).

    Do início. Zuzu tinha o desejo de se rebelar. Por rebelar entende-se o quê? Não sei. Mas se for um ímpeto transformador, acho genial. Contudo, haviam naquele momento histórico duas opções distintas: aderir aos situacionistas (militares) ou tomar partido na luta contra a situação. A opção “nenhuma das anteriores” não condiz com rebeldia, mas sim com conformismo…

    Educação pela educação me cheira a parnasianismo barato. Educa-se pra quê? Se não há finalidade na educação, pra quê se educa? Não devemos nunca perder de vista a linha divisória das ideologias existentes ou que venham a ser pensadas. Capitalismo e socialismo (e não sei por que me tomaste por um socialista) são coisas distintas que apontam para lados diferentes. Não há como caminharem juntas. É por essas e outras lambanças que mantenho minha opinião sobre os cursos de moda: deveriam ser todos imediatamente fechados. Para justificar, gostaria de poder valer-me de uma frase do Caetano Veloso, dita durante um dos festivais da Record: “Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos”.

    Poxa, acho até lisongeiro que pensastes que eu gostaria de fazer algo pelo Brasil com minha crítica. Eu quero que isso tudo se exploda! Amiga, larga os preconceitos e vem abraçar a esbórnia do fim dos tempos! A revolução tem que começar na quarta-feira de cinzas: não vai mais acabar o Carnaval!

    Falem mal, mas falem de mim.

    Pra terminar, gostaria de felicitar o seu avô por ele se entender tão bem com os cabritos. Pode-se ver claramente que você herdou toda esta eloqüência caprina. Vou além: aqui, e ao menos aqui, a tolerância com a pequena-burguesia é zero.

    Saludos e um abraço por trás!

  14. Nilson Bjonstroen said

    Em 27.09.2008, o tal do arauto escreveu que estava numa “faze” ruim…
    Fugiu da escola? Pelo visto a educação que lhe deram foi mesmo um parnasianismo barato.

  15. é isso aí maestro, Olavo Bilac é o maior!

  16. Josivan Elisson Leão said

    Sim,o que vale agora é o poder da palavra.Salve a livre expressão.Gostaria de dizer, que lendo os comentários,vejo que ainda estamos buscando sair de nossas crises de consciências.Estamos na primeira fase, do que queremos que caía do céu.Continuem e vamos ver até onde vai.

  17. solon said

    EM OUTUBRO
    oliveira braga filho

    Olá! de volta , primavera!
    Bom dia! Emfim voltas, bem ve-se,
    No ceu azul que reverbera
    No campo em flor que recerdece.

    Como m nababo sumptuoso
    o sol reapparece agora
    P assa arrastando esplendoroso
    Manto de pupura da aurora

    E para festejar-lhe a vlta,
    A esse formoso sol de outubro,
    a natureza desenvolta
    –ao seu olhar faminto e rubro

    Coquettemente se engrnalda
    de flores, e mostra a riqueza
    DOs seus vestidos de esmeralda,
    Dos eus vestidos de princeza.

    Ar domingueiro o bosque asssume;
    Tornam-se à luz de um claro dia,
    As flores – cheias de perfume,
    As almas – cheias de alegria.

    Sim, isto agora é que é outra cousa!
    Sente-se a gente mais gosto
    Do que por baixo dessa lousa
    –O ceu tristissimo de Agosto.

    No inverno phantasia arrasta
    O vôo para a sombra negra
    De ma região erma e nefasta
    Que luz alguma não alegra

    Meu coraçãqo ese estouvado
    Que a luz da aurora contamina,
    Sente-se preso e asphyxiado
    entre as paredes da neblina.

    E emquanto fora uivam os ventos
    Vergando as arvores, eu uoço
    Dentro de mim como lamentos
    No fundo lóbrego de um poço,
    Vozes funereas, todo um côro
    Deimprecações de blasphemias
    Dentro do peito, um sorvedouro,
    Gera-as a sombra e o tedio geme-as…

    Mas hoje voltas primavera!
    E esse teu halito fragrante
    Da flores á campina, gera
    Na alma a alegria hilariante.

    Voltam-me agora os bellos sonhos
    Olho em minha alma e julgo vel-os
    Abrindo os cálices risonhos
    Ao sol, com as flores, ente os gelos.

    e da chimera a asa travessa
    voa pela minha alma a fora
    Como um insecto que começa
    o vôo ao despontar da aurora.

    Noiv a do sol e minha noiva.
    minha alma é quando estás ausente
    Como um sepulchro que engoiva
    De maguas, funerariamente ;

    E em cujo fundo apodrecido
    o riso, podre e desconjuncto,
    Como um cadaver esquecido
    dorme o seu somno de defuncto…

    Mas quando voltas quando volta
    Ao campo a veste de esmeralda.
    E a natureza desenvolta
    Coquettemente se engrinalda,

    Sim, quando a rir surges e tornas.
    Quando teu esplendor assoma
    no ceu, e sobre a terra entornas
    As tuas amphoras de aroma.

    Na sombra de minha alma brota,
    Viva, a alegria:o riso vem…
    E eu rio como um idiota
    E sou feliz como ninguem.

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