A tinta que falta

outubro 3, 2006

Permitam-me reproduzir com minhas palavras uma anedota encontrada no livro do Zizek, logo no começo do capítulo “A tinta que falta”. Penso ser pertinente para o debate sobre as eleições 2006:

Conta-se que durante o domínio soviético na Alemanha Oriental, um alemão conseguiu um emprego na Sibéria. Estava eufórico. Porém, ao contar do novo trabalho para seus amigos, estes lhe orientaram a mudar de idéia, que isto não era emprego que se prestasse um homem. Mas o obstinado rapaz continuava disposto a aceitar o emprego. Assim sendo, como os censores não deixariam passar nenhuma informação sobre a real situação da Sibéria, os amigos combinaram o seguinte: nas cartas, haveira um código para lhes garantir veracidade do documento – se estivesse escrita em azul a carta seria verdadeira; caso estivesse escrita em vermelho, seu conteúdo seria falso.

Um mês depois os amigos recebem uma carta do mais novo morador da Sibéria. Totalmente escrita em azul, dizia: “Queridos amigos: Aqui tudo é maravilhoso. As cidades são movimentadas e sempre se tem muitas coisas para fazer. Há muitas garotas, sempre dispostas a fazer algum programa; dentre os quais o meu preferido é ir a um dos vários cinemas – pois, pasmem camaradas, aqui se passam filmes ocidentais. As pessoas são simpáticas, o clima é agradável, a comida é deliciosa e não nos falta nada. Exceto uma coisa companheiros, não se é possível comprar tinta vermelha”.

Aonde foi parar a esquerda minha gente? Estamos órfãos?

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