Aspas: não dá mais

setembro 26, 2006

poster da guerra civil espenhola 

Votei no Lula. Mas isso não faz de mim um “lulista”. Votei porque imaginava que seria interessante a “esquerda” no poder; queria a queda do tucanato e essas coisas todas. E é justamente por horror ao que seja esta coisa, o tucanato, que me manifesto: não podemos tolerar o que a coligação PSDB/PFL está fazendo neste momento, às vésperas da eleição.

Apenas para que fique claro: hoje não voto mais. Acredito que não é através de vias institucionais que conseguiremos modificar a estrutura social que vemos hoje, a saber, a da exclusão, da formação do “exército de mão-de-obra”, da imposição da lógica do Capital. Os movimentos sociais ainda representam a única esperança para este Brasil, e percebo na educação, isto é, no exercício do livre pensamento, uma base sólida para a construção de uma nova sociedade. Mas, ainda assim, penso haver tantas ressalvas em “movimentos sociais”, o que este tópico fica para uma outra ocasião (o debate virtual?).

No entanto, apenas para criar um pólemos, direi que sou a favor da desobediência civil. Proponho assim a campanha: “voto no dia útil“, que é um dia em que as pessoas farão qualquer coisa – de preferência refletir sobre o que é a sociedade – mas, sobretudo, não comparecerão à seção eleitoral, por, dentre outras coisas, não concordarem com esta arbitrariedade que é o voto obrigatório, que (não se enganem senhores), é feito mais para defender o “curral” eleitoral do que a “democracia”.

Sabemos que o governo Lula está marcado por escândalos. Acredito ainda que, se reeleito, irá mudar para o PSDB e depois, sem sequer corar, aprovará alguma lei de “fidelidade partidária”. Mas o que vimos na mídia não foi justamente uma tentativa de se fabricar estes escândalos? Em tudo se tentava enfiar o presidente no meio; bradavam “Ele sabia”, como se Lula fosse um ente metafísico onisciente – que por definição tudo sabe e é impossível que haja algo que não saiba.

Mas agora, na semana da eleição, o tucanato (leia-se FHC, Geraldo Alckmin [o GeraRdo (imagine um sotaque Mazzaropi)], Antônio Carlos Magalhães [o PFL também é “tucanato”], Aécio “Pó” Neves, enfim, essas aves todas) quer nos fazer acreditar no escândalo da “compra do dossiê”, isto é, que membros do PT compraram um dossiê CONTENDO PROVAS DO ENVOLVIMENTO DE JOSÉ SERRA E GERArDO EM ALGUMA FALCATRUA,  e por isso, ou seja, por investigar a corrupção alheia, são os membros do PT que vão presos.

milico facistão não dá! põe uma flô!

Concordo com o Zé Simão, que diz que este é o país da piada pronta. Até agora, ninguém falou no que é que havia no tal dossiê do GeraRdo (aliás, um parêntesis: eu seria um marqueteiro de mão cheia! queriam popularizar a campanha do Alckmin, porque Alckmin era muito grã-fino, e botaram Geraldo que não colou. Eu lancei GeraRdo, e ainda bem que só a uma semana da eleição, senão ele ganhava).

O que tinha no dossiê do GeraRdo? Ora isso não interessa. Interessa que o Berzoini (que já tinha feito caca antes) e era o chefe de campanha do Lula (alguém achou que ia dar certo?) comprou um dossiê que falava do GeraRdim. No site da folha http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u83827.shtml aparece aquelas revistinhas “entenda a compra do dossiê”, mas NÃO DIZ ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE O QUE ESTAVA ESCRITO NO DITO CUJO. Assim, como vou entender?

A mídia é, definitivamente, o quarto poder, o poder “moderador” do Pedro I.  Mas é muito baixo manipular as intenções de voto assim, na hora H. Devemos lembrar que essa foi uma tática utilizada pela escória reaça durante o equívoco do “referendo”, sobre as armas e aquela coisa toda. Na reta final, a bancada da bala botou o não na cabeça do povo (defenda o seu direito de se defender) e deu no que deu. Escroto.

Agora aposto o mesmo. Se não impugnarem a campanha do Lula (o que pode ocorrer, pois nunca vemos quem é o juiz que, num ímpeto de grandeza, resolve se inscrever nos anais da magnífica “História Nacional”), ele ganha e vai para o PSDB, que é o mesmo que o GeraRdo ganhar. O “Chuchu” Alckmin é o ultraconservador doutor Cataflan que vai esculhambar de vez com as entranhas do Brasil, e entregar sem choro tudo para o Tio Sam e seus amigos. E a esquerda? Aí não tem esquerda. São todos da direita!

Assim, farsa por farsa, estou “torcendo” para dar Heloísa Helena, só pra ver o circo pegar fogo (ou, como diria Itamar Assumpção, para botar “mais lenha nesse inferno”). Mas, infelizmente o brasileiro ainda não tem consciência política. Se tivesse, o “Dia Útil” é que ganharia.

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